Depois da importante descoberta de fosseis de pterossauros na cidade de Cruzeiro do Oeste/PR, (como consequência do trabalho de pesquisa do livro Museus e Fosseis da Região Sul, produzido com recursos da Lei Rouanet e assessorado pela Quixote Art & Eventos), o Prefeito Valter (conhecido na cidade e região como Valtinho) adota as primeiras ações visando preservar a área dos fosseis e estimular a pesquisa na região.
Acrescenta muito você morar numa cidade e fazer parte da história do mundo”. Esta foi uma das frases do prefeito Valtinho na noite da última quarta-feira, na cerimônia de lançamento do livro “Museus & Fosseis da Região Sul do Brasil”, de autoria dos pesquisadores Paulo César Manzig e Luiz Carlos Weinschutz e que traz a história da descoberta de fósseis de pterossauros em Cruzeiro do Oeste. O anuncio oficial da descoberta foi feito na semana passada e desde então ganhou as manchetes dos principais jornais, reportagens na televisão e nos principais blogs especializados em paleontologia, na internet. Durante a cerimônia, Valtinho assinou dois Decretos municipais. Um deles constituindo o Conselho Municipal de Preservação de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de Cruzeiro do Oeste e o outro declarando provisoriamente como área de interesse público para fins de conservação e pesquisa paleontológica a área onde foram encontrados os fósseis, na área rural do município. “Os decretos são as duas primeiras peças da ferramenta que nos dá condições de começar a tocar esse projeto”, disse o prefeito.
Além de Valtinho, a solenidade contou com presenças dos vereadores Carlos Roberto Alegria, Osório Moreira Couto, Geremias Caetano, Euclides dos Santos (Cheirinho) e Juvenil Moura, além do pró-reitor do Contestado de Mafra (SC), professor Ademir Flores, o reitor da Unipar, Carlos Eduardo Garcia, os escritores Paulo César Manzig e Luiz Carlos Weinschutz, senhor João Gustavo Dobruski, descobridor dos fósseis e os proprietários das áreas que doravante passam a ser consideradas de interesse público, Sérgio Alvares e Wilson Sanches. Também estavam presentes muitos professores, acadêmicos e personalidades de Cruzeiro do Oeste e da região.
MUITOS ‘ONTENS’ E MUITOS AMANHÃS’
“Eu jamais poderia imaginar que um dia pudéssemos estar aqui, neste Centro Cultural, discutindo a descoberta de um ser que viveu há mais de 100 milhões de anos. São muitos ‘ontens’. É um momento muito importante não só para Cruzeiro do Oeste, mas também para o mundo acadêmico, científico e, enfim, para todos”, disse Valtinho. O prefeito falou que o que mais chamou-lhe a atenção foi o fato de, ainda em 1975, o seu Alexandre Dobruski, junto com o filho João Gustavo,ao encontrarem os ossos enterrados, terem tido a percepção de entender que ali poderia existir uma história de tantos ‘ontens”. Eu tenho ainda muitos ‘amanhãs” e sempre vou lembrar da importância de um homem como o seu Alexandre, que nunca frequentou um banco escolar mas falava oito idiomas. Isto é um diferencial muito interessante”.
Sobre os dois decretos assinados, Valtinho considerou como uma “pequena atitude” até o momento. “A gente não sabe o que virá na sequência desse estudo, mas não me amedronta. O difícil só me incentiva a continuar, a desbravar e a fazer. Os decretos são as duas primeiras peças da ferramenta que nos dá condições de começar a tocar esse projeto e sonhando, quem sabe, com um centro de estudo paleontológico. Essa descoberta e tudo o que virá a partir de agora é um fato histórico que deve ser compartilhado com o mundo e eu desejo que esses estudos sejam feitos em Cruzeiro do Oeste. Vamos ser um facilitador para que isto ocorra aqui no município”, garantiu o prefeito. Nesse sentido, o município já tem a garantia de parceria da Unipar.
Sobre a repercussão em torno do anúncio da descoberta dos fósseis no município, o prefeito analisou que alguém pode estar se perguntando o que isto acrescenta para quem mora em Cruzeiro do Oeste. E respondeu: “Eu respondo que acrescenta muito você morar numa cidade e fazer parte da história do mundo. Não tenho dúvidas de que o ganho cultural e científico estará associado, também, ao ganho econômico e social”, declarou.
A HISTÓRIA CONTADA EM LIVRO
Os ossos de pterossauros foram encontrados em 1975, pelos agricultores João Gustavo Dobruski, 63 anos, e pelo pai dele, Alexandre Gustavo Dobruski, já falecido. O material passou quase 40 anos guardado na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), sob análises. No início, ninguém desconfiava de que eram ossos de pterossauros.
O caso chegou às mãos dos geólogos Paulo Cesar Manzig e Luiz Carlos Weinschutz, do Centro Paleontológico da Universidade do Contestado (Cenpáleo), em Mafra, uma das mais respeitadas instituições brasileiras no estudo da paleontologia. Os pesquisadores foram atrás da origem dos ossos, descobrindo vários outros no mesmo local, na zona rural de Cruzeiro do Oeste. Toda a história está detalhada com textos e fotos no livro Museus & Fósseis da Região Sul do Brasil. Sob o ponto de vista da ciência, a descoberta pode mudar teorias a respeito da vida dos pterossauros.
O livro Museus e Fósseis da Região Sul do Brasil, produzido com recursos da Lei Rouanet, apresenta um grande registro dos acervos de fósseis das principais instituições do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, acompanhado de pesquisas do Cenpáleo. A obra tem imagens em 3D e o livro já vem com óculos especiais para a visualização. O grande trunfo do livro foi a divulgação da descoberta dos fósseis de pterossauros na cidade paranaense de Cruzeiro do Oeste. Os pesquisadores dizem que é o primeiro pteurossauro paranaense. A obra será distribuída gratuitamente para as universidades brasileiras.